Capoeiristas representam a Celeiro de Bamba de Itabuna no Red Bull Paranauê
"Perdi alguns ex-alunos para o tráfico [de drogas] por falta de incentivo e descaso dos órgãos públicos com os projetos sociais" Contramestre Tiago Ninjinha
*Por Karen Póvoas (Mestre Celebridade)
Essa é uma triste realidade vivenciada por quem ensina capoeira, por meio de projetos sociais, a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, em Itabuna. O capoeirista Tiago Amorim Silva, de 23 anos, conhecido como Contramestre Ninjinha ministrava aulas em comunidades periféricas da cidade, mas não conseguiu dar continuidade após o município romper parcerias com as ações de vários projetos sociais, a exemplo do projeto 'Capoeira para Todos' da Escola Celeiro de Bamba Cordão de Ouro, coordenada por seu pai, o mestre Ninja.
Na festa da cidade, Tiago recebeu a pior rasteira. Veio de um ex-aluno: "Professor, me desculpa, não resisti, virei traficante." "Foi pior do que receber um chute no rosto. Isso me marcou muito como educador social" lamenta Tiago que ficou fascinado pela capoeira ainda na barriga da mãe. É por essa e outras razões que o Contramestre Ninjinha, nascido em Itabuna/BA, decidiu participar da 2ª edição do Red Bull Paranauê, evento que vai escolher o capoeirista mais completo do mundo com mais habilidade na capoeira angola, regional e contemporânea. "Vou em busca de uma boa colocação para que os órgãos públicos da minha cidade me enxerguem, e dêem mais valor para capoeira", finaliza Tiago que já viajou para São Petersburgo, na Rússia, por causa da capoeira e pretende motivar seus alunos também. Itabuna será muito bem representada.
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| Contramestre Ninjinha e seu pai, mestre Ninja |
É um sonho de qualquer capoeirista alavancar a carreira ministrando aulas fora do Brasil, já que aqui o profissional não é tão valorizado quanto lá. A premiação para o primeiro colocado no Red Bull Paranauê será um pontapé inicial pra quem pretende viajar pelo mundo. O campeão e a campeã terão a possibilidade de conhecer e treinar por 3 dias na academia do mestre João Grande, em Nova Yorque, onde ele encontrou melhores condições para trabalhar há mais de duas décadas.
Além do contramestre Tiago Ninjinha, outros dois alunos da Escola Celeiro de Bamba também estão ansiosos para participar da seletiva no dia 27 de fevereiro, em Salvador, onde serão selecionados 16 capoeiristas (08 na categoria masculina e 08 na feminina). Raul Jeferson de Santana Vieira, o instrutor Emboscada, tem 23 anos e é de Lençóis/BA. Aprendeu capoeira aos 2 anos de idade. Atualmente mora na Inglaterra onde representa a Celeiro de Bamba. Ele se inscreveu no campeonato pra testar seus conhecimentos e limites e está na expectativa de chegar na Final, dia 03 de março. "Vai ser legal ver capoeiristas de vários lugares mostrando suas técnicas, movimentando bem nos jogos. Espero aprender muito também." diz Emboscada. O instrutor vem se preparando há alguns meses para o evento que, na opinião dele, será muito importante pra divulgar a capoeira e o desempenho dos participantes, além de ajudar a nossa arte crescer pelo mundo.
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| Instrutor Emboscada |
A Bahia é o berço da capoeira e o sertão também tem muito o que mostrar nessa seletiva. Alef Teles, aluno da Celeiro de Bamba em Nordestina/BA, onde mora, pretende levar o dendê e a boa energia do interior no Red Bull Paranauê. Aos 20 anos, Alef é cordel amarelo (aluno avançado) e disputará uma vaga na seletiva. Mesmo sendo o mais novo dos três, tendo inciado na capoeira em 2012, ele se sente confiante e feliz pela experiência que vai adquirir nessa jornada. "É de extrema importância um evento deste porte porque temos uma oportunidade de ter o reconhecimento que todos capoeiristas buscam", finaliza Alef.
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| Aluno graduado Alef Teles
Alef, Raul Emboscada e Tiago Ninjinha, com suas graduações diferentes, têm em comum um sonho de milhares de jovens capoeiristas baianos: ser reconhecido em sua arte, divulgando a capoeira da Bahia pro mundo. Apesar de estar representando a sua cidade, nenhum deles teve patrocinador pra custear as despesas com a viagem à capital. Os atletas tiveram que fazer campanha entre amigos porque quem já levou rasteiras sabe levantar e ir pro jogo de novo.
* Karen Póvoas é jornalista, mestre de capoeira e gestora cultural.
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Parabéns e desejo sucesso, salve
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