Oficina de Tradição Oral - Percussão Afro Religiosa

Integração Cultural



Alunos da Escola Celeiro de Bamba tiveram a oportunidade de conhecer variados ritmos do atabaque na Oficina de Tradição Oral: Percussão Afro Religiosa realizada no dia 26 de outubro e ministrada por Lula Dantas, coordenador Local da Associação do Culto Afro Itabunense. A ACAI é uma entidade filantrópica fundada há mais de duas décadas com a intenção de reunir sacerdotes, pessoas das comunidades dos terreiros de matriz africana, pessoas ligadas a cultura e tradição afro-descendente, em busca de discutir e informar quanto aos seus direitos e deveres como cidadão, manutenção das tradições, luta contra a intolerância religiosa, além de oferecer aulas de dança afro-religiosa, percussão afro com ritmos e toques sagrados incluídos, buscando uma melhor divulgação das religiões de matriz africana.

Confira mais abaixo


Terreiro Ilé Asé Oyá Funké 



A oficina foi realizada no Terreiro Ilé Asé Oyá Funké, fundado em 22 de fevereiro de 1980 pela Iyálorixá Desdêmona Ferreira Dantas conhecida como Mãe Vanda. Cercado por muito verde, o lugar oferece ainda oficina de confecção de atabaque.












































A Oficina de Percussão faz parte do projeto "cultura em ação", contemplado como Ponto de Cultura da Bahia em 2008.

Espaço destinado ao Ponto de Cultura para pesquisas
Os alunos conhecerem os fundamentos da cultura afro-religiosa. Dos Povos Yorubá foram tocados os ritmos AVAMUNHA, AGUERÉ, ALUJÁ, OPÁNIJÉ, ILÚ, IGBÌN e IJEXÁ. Dos Povos BANTU: SAMBA, CONGO e BARRAVENTO.

Confira os vídeos abaixo


"Os cânticos nos remetem a lendas e provérbios antigos, os ritmos movimentam nosso corpo em harmonia e o tambor nos comunica diretamente com deus e a natureza." Lula



parte 1

parte 2


parte 3

Para Lula, os ritmos tocados na oficina têm uma ligação muito importante com a capoeira.

"A capoeira utiliza na puxada de rede, no maculelê, nas rodas de samba e de capoeira os ritmos e instrumentos tradicionais ancestrais das nações africanas. Daí a importância do capoeirista conhecer esses ritmos em sua forma tradicional e contemporânea."

Saiba mais sobre os ritmos do atabaque


Existe uma grande variedade rítmica num terreiro. No Candomblé, cada toque corresponde a um Orixá em especial. Os mais comuns são:


ADABI ou EGO - ritmo dedicado a Exu


ADARRUM - dedicado a todos os Orixás, também tocado para Ogum.


AGUERÊ - ritmo cadenciado quando dedicado a Oxóssi e mais rápido quando tocado para Iansã. Considerado o ritmo mais bonito do Candomblé.


ALUJÁ - toque rápido. Dedicado a Xangô.


BATÁ - também dedicado a Xangô. Pode ser lento ou rápido.


BRAVUM - não é atribuído a nenhum Orixá específico. É rápido, repicado e bem dobrado.


IGBIM - descreve a viagem de um ancião. É extremamente lento com batidas fortes. É dedicado a Oxalufã.


IJEXÁ - calmo e envolvente. Executado para Oxum.


ILÚ ou DARÓ - tocado com aguidavis (varetas). Atribuído a Iansã.


OPANIJÉ- ritmo pesado, lento triste e quebrado por pausas. Dedicado a Obaluaê.


RUFÓ - produz irradiação no terreiro. São repiques graves e constantes.


RUNTÓ - executado com cânticos para Obaluaê, Xangô e Oxumarê. De origem Fon. 


SATÓ - lento e pesado. Tocado para Nanã.

VAMUNHA, RAMUNHA, ARRAMUNHA - é tocado para todos os Orixás, executado também na entrada e saída dos filhos de santo no barracão. É rápido, contagiante e muito bonito.

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