Projeto 'Capoeira para Todos' promove inclusão social em Itabuna

Por Karen Póvoas - assessoria de comunicação
Turma de baixa renda
Pelo menos duas vezes por semana cerca de 50 crianças de famílias de baixa renda do bairro Nova Califórnia, passaram a ter contato com a capoeira. Graças ao projeto social Capoeira para Todos, idealizado pelo Mestre Ninja em 2005. As aulas são realizadas no estacionamento do Condomínio Pedro Fontes 1 onde moram centenas de famílias do Programa Minha casa Minha vida e tem parceria do empresário Jozimar Andrade. Os profissionais - a contramestre Pimenta e o professor Tiago que também trabalham em escolas - são responsáveis pelas aulas que promovem inúmeros benefícios à turma, como por exemplo, a socialização, o respeito ao próximo, o ritmo, a coordenação motora, a musicalidade e a união. 

Assista ao vídeo

Aula no Condomínio Pedro Fontes I



Contramestre Pimenta (de costas)

Professor Tiago (ao centro da roda)




O empresário Jozimar Andrade - parceiro do projeto (camisa rosa listrada)

Ainda há outra turma proveniente de comunidades em situação de vulnerabilidade. Os alunos praticam capoeira na Escola Celeiro de Bamba com outros colegas que apoiam o projeto. Desde 2005, o projeto "Capoeira para Todos" beneficiou cerca de 200 crianças e jovens de Itabuna apesar das dificuldades de apoio municipal.

Alguns dos alunos do projeto (da esquerda p/direita: Vinicíus, Kaique,  Dezessete, Bimba, Badú, Caio e Nenê)

Turma com Síndrome de Down
A contramestre Celebridade com 20 anos de capoeira também é voluntária no projeto e ministra aulas para uma turma com síndrome de down e deficiência intelectual. "A assiduidade prova que os alunos adoram as aulas. Eles veem a capoeira como uma terapia, uma brincadeira, mas sabem que há regras a serem seguidas". Conta
Os pais aceitam bem a proposta da Escola Celeiro de Bamba que se preocupa em garantir o bem estar e o desenvolvimento deles obedecendo os limites de cada um. O diálogo entre pais, alunos e escola tem sido constante, o que facilita o nosso trabalho e os resultados são logo percebidos.


Depoimento das mães dos alunos


Roda de capoeira

Alguns dos alunos

Aula com alunos e voluntários

Contramestre Celebridade



O projeto social foi destaque no Jornal A Tarde caderno Municípios na edição do dia 26 de abril de 2012

Proposta do Projeto
O projeto tem como propósito a valorização da cultura e do esporte possibilitando a construção da cidadania a crianças, adolescentes e jovens de famílias de baixa renda de Itabuna, promovendo ainda a inclusão e a melhoria de qualidade de vida de diversas pessoas com necessidades especiais. Os beneficiados se integram e se fortalecem como indivíduos e cidadãos a partir da promoção de valores como o respeito, disciplina, auto confiança, equilíbrio, ritmo, humildade e o amor ao próximo. Para se manter no projeto, o beneficiado precisa estar frequentando a escola e ter boas notas. Os pais são parceiros do projeto. É fundamental a participação da família no processo educativo. 

As aulas são realizadas na Escola Celeiro de Bamba, no centro da cidade, e em espaços comunitários por uma equipe de monitores, professores e contramestres supervisionada pelo Mestre Ninja e incluem, além de capoeira, maculelê, dança afro, samba de roda e percussão. O projeto é mantido por meio de trabalho voluntário e tem o apoio do empresário Jozimar Andrade que vê no projeto a oportunidade de incentivar a prática do esporte, afastando as crianças e os jovens do envolvimento com as drogas.

Para  mestre Ninja o mais importante é ver os alunos do projeto se interagindo com os outros colegas de classes sociais diferentes que são considerados irmãos da capoeira. 

"Aqui não existe distinção de classe social, de cor, de profissão. Quando eles vestem o abadá eles são capoeiristas. Ninguém vê ninguém como um médico, advogado, fisioterapeuta, biólogo, empresário ou qualquer profissão que seja. Na Escola Celeiro de Bambas há a inclusão social, a auto estima, porque o jovem percebe que tem potencial, ele passa a acreditar em si mesmo." Conclui.

Resultados
Entre os alunos do projeto, destaca-se Franciele dos Santos de 23 anos conhecida como Dezessete. Ela está no "Capoeira para Todos" desde 2008 quando começou a prática da capoeira com o Contramestre Doka. Ela fazia parte do Projovem. Na época morava no Novo Horizonte, um dos bairros mais periféricos e violentos da cidade em que o toque de recolher imposto pelo tráfico de drogas amedrontava os moradores. Para ela, o grande desafio era ter disciplina. 
"Eu era uma jovem muito revoltada, falava muitas gírias e palavrões. Eu era muito rebelde com costumes ruins do bairro onde morava. Foi um grande desafio para o Mestre Ninja me disciplinar e um desafio maior ainda para eu obedecer, algo que eu não fazia nem com a minha mãe."
Dezessete encontrou na capoeira a vontade de seguir a vida feliz. Logo se apaixonou pelo esporte e percebeu que podia acreditar em si mesma. Ela conta que o Mestre Ninja conseguiu discipliná-la. 


"Até hoje minha mãe agradece à Deus e aos meus anjos - o Mestre Ninja e o Contramestre Doka por terem mudado a minha vida e o meu modo de pensar, pois se não fossem eles, talvez não estaria viva." Lembra a aluna que fez amigos, conseguiu um bom emprego e está concluindo o curso de Educação Física na UNIME por meio da capoeira.

De aluna à voluntária do projeto, Dezessete aceitou fazer parte da equipe.

"Eu fui resgatada por dois anjos agora é a minha vez de ser um anjo e resgatar outras pessoas, quero continuar ao lado do meu Mestre Ninja fazendo com outras pessoas o que ele fez e continua fazendo por mim, ajudando crianças e jovens a acreditarem em si mesmos e ser o futuro da nossa nação".   Finaliza
Mestre Ninja, Dezessete e Contramestre Doka

Franciele "Dezessete"






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