CONSCIÊNCIA NEGRA
Zumbi dos Palmares: capoeirista?
20
de novembro é uma das datas mais importantes do país. O dia da consciência
negra reforça a luta pela igualdade e inclusão social do povo brasileiro. É,
portanto, o momento para refletir a necessidade de preservar a nossa cultura e
tradições de construir uma nação mais justa, livre de preconceitos. As
discussões ganharam força depois que a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003
incluiu a data no calendário escolar, tornando obrigatório o ensino sobre
história e cultura afrobrasileira nas escolas.
A luta de Zumbi,
líder do Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, na divisa entre
Alagoas e Pernambuco, tem-se discutido muito no universo da capoeira. Mas,
devido à falta de registros históricos sobre o Quilombo dos Palmares há muitas indagações,
assim como a origem da capoeira. Alguns estudiosos afirmam que Zumbi foi
capoeirista. Mestre Luis Camburão, doutor em antropologia cita em seu livro Capoeira: uma expressão antropológica da
cultura brasileira que o escravo fugido tenha praticado livremente a
capoeira nos quilombos.
“Nestes poderiam também ter existido lideranças na possível sistematização do ensino-aprendizagem de tal luta para todos os aglutinados que ali compartilhavam do mesmo sistema de vida. Zumbi pode ter sido uma das pessoas que conduziram um grande número de homens negros a praticar essa atividade como uma das formas de defesa pessoal”.
Já Anande das Areias no livro o que é capoeira não cita se o líder
Zumbi utilizou golpes de capoeira para lutar contra a opressão portuguesa. Ele
diz: “organizando-se social e
politicamente à moda das sociedades tribais na África, os negros criam as suas
próprias leis, escolhem um rei, Ganga-Zumba, mais tarde substituído por Zumbi,
o grande general das armas que entrou para a história em função dos grandes
feitos realizados em defesa do reduto de Palmares”.
Não resta dúvida
de que Zumbi foi um grande guerreiro. Mestre Ninja, educador físico e
coordenador da Escola de Capoeira Cordão de Ouro em Itabuna, acredita que o símbolo
da resistência negra foi um grande estrategista. Ele não descarta a
possibilidade de ter existido capoeirista no quilombo, mas ele afirma conforme
estudos feitos que "o líder negro jamais usou a capoeira como arma.” afirma. Mestre
Damião em um artigo publicado pela revista Praticando Capoeira ano 3 n. 28, pág.
36, 2004, concorda com a versão. O artigo é baseado no livro Palmares a guerra dos escravos, do historiador
Décio Freitas, em 1990. A obra é considerada uma reconstituição sobre o assunto
Palmares fundamentada em pesquisas realizadas pelo autor nos arquivos
históricos ultramarinos. O livro cita que em maio de 1676 o Sargento-mor Manuel
Lopes Galvão, senhor de engenho soube que havia forças concentradas num lugar
situado a 150 quilômetros do arraial erguido para descobrir a posição dos
palmarinos e marchou para esse lugar com 280 homens entre brancos, índios e
mulatos. Durante um prolongado e sangrento combate o negro Zumbi que o
documento denomina de General das Armas, foi atingido por uma bala em uma das
pernas que o deixara coxo.
Com o auxílio
dessas informações relevantes, o mestre Damião concluiu que Zumbi jamais
poderia ser capoeirista como querem algumas pessoas apaixonadas pela capoeira.
Ele acrescenta,
“Zumbi chegou em Palmares aos 15 anos (1670) e decorridos seis anos (1676), durante um combate, recebeu um tiro na perna e ficou coxo. Todos nós que praticamos capoeira sabemos que é impossível um indivíduo coxo utilizar a capoeira numa briga pra valer. Principalmente numa guerra fratricida como era a de Palmares. Além disso, antes de 1676 (data em que ficou sem a perna) até a data de sua morte em 1695 não existe qualquer registro ou documento que ateste a prática da capoeira entre os palmarinos”, conclui.
Coxo ou não
Zumbi morreu por ter lutado contra a escravidão e todas as formas de opressão. 317
anos depois da morte do maior herói negro a luta é pela inclusão social. O dia Nacional da Consciência
Negra também simboliza a consciência de uma nação onde todos sejam tratados
como iguais.
por Karen Póvoas
Jornalista
DRT-6120
Ladainha - Viva
Zumbi (Mestre Ezequiel)
Iê!
Viva Zumbi, o
guerreiro de Palmares
Transformou sua vida em sangue
Em busca da liberdade
Liberdade já raiou
Igualdade ainda não
O negro é braço forte
É o orgulho da nação
Tomou banho até de sangue
Construindo essa nação
Carregou pedra na cuca
Apanhou sem ser ladrão
O feitor não perdoava
Com o chicote em sua mão
A cara de Barrabás
A natureza de um cão
A mãe negra inocente
Chorava sem solução
Recorria a sinhazinha
Recebia um empurrão
Sai daqui negra caduca
Vai te embora pro porão
Se o senhor soubesse mestre
Do valor que o negro tem
Pintava sua pele toda
Ficava negro também
IÊ!
Transformou sua vida em sangue
Em busca da liberdade
Liberdade já raiou
Igualdade ainda não
O negro é braço forte
É o orgulho da nação
Tomou banho até de sangue
Construindo essa nação
Carregou pedra na cuca
Apanhou sem ser ladrão
O feitor não perdoava
Com o chicote em sua mão
A cara de Barrabás
A natureza de um cão
A mãe negra inocente
Chorava sem solução
Recorria a sinhazinha
Recebia um empurrão
Sai daqui negra caduca
Vai te embora pro porão
Se o senhor soubesse mestre
Do valor que o negro tem
Pintava sua pele toda
Ficava negro também
IÊ!
Viva Zumbi..
Côro: Viva
Zumbi
Viva Palmares..
Côro: Viva
Palmares
Viva a liberdade
Côro: Viva a
liberdade
Viva a mãe negra
Côro: Viva a mãe negra
Viva a mãe negra
Côro: Viva a mãe negra
Ladainha-
Homenagem a Zumbi
Dos Palmares (Mestre Boa Voz)
Angola terra dos meus ancestrais, Angola
Angola êêê terra dos meus ancestrais, Angola
De onde veio à capoeira angola
Do toque do berimbau, Angola
E vivia no Quilombo
O valente rei Zumbi
Guerreiro de muitas lutas
Por seu povo sofredor
Foi general de batalha
Sem patente militar
Inteligência e coragem
Não lhe podiam faltar
Ele nasceu no Quilombo
Porém foi aprisionado
Criado por Padre Antônio
Francisco foi batizado
Aprendeu língua de branco
Mas não se subordinou
Dentro dele era mais forte
O seu "eu" de lutador
Fugindo para Palmares
Ganga Zumba o recebeu
O Quilombo estava em festa
Viva Zumbi Ganga o rei
Foi quando tudo mudou
Até vir a traição
Mataram Zumbi guerreiro
Sem nenhuma compaixão
Seu nome será lembrado
Para sempre na história
Força de espírito presente
Não nos saia da memória
Iê, viva meu Deus
Iê, viva Zumbi.
Iê, viva meu Mestre.
Iê, a capoeira.
Iê, viva Deus do céu.
Iê,salve a Bahia.

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